VOCÊ CONVIVE BEM COM SUAS TENSÕES ? ?

08-02-2013 12:10

 

           SINTOMAS DE VERDADEIRO AJUSTAMENTO

             O crescimento possui não só recompensas e prazeres, mas também muitas dores intrínsecas e sempre terá. Ninguém está livre de conflitos e tensões ocasionais, que desaparecem, porém, quando se remove o problema ou situação que os causou.

                  Entretanto, existem tensões provocadas pela angustia que persistem e interferem seriamente com a eficiência, a tomada de decisões e o julgamento no trabalho. A tensão é um subproduto da pressão do stress, ela deflagra ou mobiliza o corpo para vencer a ameaça, e consiste num estado de prontidão ou alerta que nos permite enfrentar problemas em nosso ambiente. O stress, como a pressão e o esforço, faz parte da nossa experiência, ninguém pode escapar completamente à tensão.

            Alguns dos traços que caracterizam aqueles que são capazes de viver bem com suas tensões, com bases em pesquisas da Fundação Menninger, são:

1.      mantêm-se flexíveis quando sob pressão.

2.      tratam os outros como seres independentes

3.      encontram satisfação numa variedade de fontes, como as pessoas, idéias, tarefas etc.

4.      aceitam as próprias capacidades e limitações, e têm uma imagem realista de si mesmos.

5.      Mantêm-se ativos e produtivos no interesse da realização própria e a serviço dos outros.

 

            Para  H.C. Smith, a pessoa que atinge o ajustamento e, portanto, amadurecida emocionalmente, apresenta características marcantes de comportamento objetivo. É possível resumir as mais importantes da seguinte maneira:

-          A pessoa madura tem objetivos integrados: consegue balancear o valor dos objetivos aos quais se propõe, avaliar as barreiras que poderá encontrar e conhecer suas reais necessidades.

-          A pessoa madura é espontânea: expressa sentimentos e emoções de forma adequada com a situação que se encontra, sem negar ou reprimir.

-          A pessoa madura ataca seus problemas energicamente: procura crescer, progredir e atingir seus objetivos e não assume conduta depressiva diante das dificuldades.

-          A pessoa madura é organizada: consegue construir e fazer planos, subdividir objetivos e programar atividades de acordo com circunstancias especificas.

-          A pessoa madura se conhece: a autopercepção de si, em termos de necessidades, capacidades e deficiências não é um estado interior fácil de ser atingido.

-          A pessoa madura é diplomática: tem tato em colocar as próprias opiniões, como também apresenta capacidade de sair da posição egocêntrica, sendo capaz de ouvir e compreender o outro.

-          A pessoa madura é produtiva: chega a resultados objetivos, utilizando suas potencialidades individuais para enfrentar e resolver problemas de qualquer espécie.

 

                O verdadeiro ajustamento leva a pessoa a uma conduta de eficiência em qualquer situação que enfrente e inversamente, a ausência ou a dificuldade de produzir podem ser tomadas como sintomas de dificuldades de ajustamentos ou ainda ajustamentos inadequados e precários.

            Segundo Cris Argyris, a pessoa que deseja controlar as emoções deve possuir a habilidade de permitir que os outros discutam ou anulem suas decisões sem sentir que isso represente uma ameaça ao seu valor pessoal; de fazer a si mesmo perguntas embaraçosas; de tentar compreender os próprios erros sem perturbar-se demais com a responsabilidade pessoal sobre eles; de suportar a hostilidade alheia sem demonstrar que está mutio ferido, de expressar hostilidade com a mesma classe com que sabe recebe-la; de aceitar vitórias sem se embriagar com elas, de suportar derrotas sem se imaginar liquidado; de disciplinar outros sem constrangimento; de encontrar motivação no orgulho próprio e, ao mesmo tempo, de manter escondido esse sentimento.

 

           OS  MECANISMOS  DE  DEFESA  DO  EGO  E  SEUS   AJUSTAMENTOS

Beatriz Xavier Flandoli

             A angústia provocada por conflito leva a pessoa a apresentar reações de defesa, úteis para abrandar ou evitar a angústia. São os chamados Mecanismos de Defesa ou Mecanismos de Autodefesa.

            Os mecanismos de defesa são mecanismos utilizados pela própria vida psíquica, buscando evitar o desgaste que advém do aumento de tensão psíquica causado pela situação de frustração e conflito. O mecanismo de defesa é colocado em funcionamento quase que de forma automática, isto é, quando o indivíduo percebe, já está atuando de conformidade com um tipo de defesa específica.

            As pessoas normais utilizam normalmente mecanismos de defesa, todavia, devem fazê-lo de forma consciente, isto é, depois de disparados pelo psiquismo, a pessoa deve ser capaz de diagnosticá-los e mais adiante abandoná-los como forma de conduta, quando quiser. Portanto, seu uso deve ser consciente e transitório. A utilização excessiva e inconsciente pode precipitar um comportamento de afastamento da realidade.

            Os mecanismos de defesa são benéficos quando diminuem estados de angustia e ansiedade, favorecendo o auto-respeito e evitando estados de stress psíquico. Nesse sentido, o indivíduo sentir-se-á protegido das ameaças advindas da situação de conflito e terá recursos para suportar por mais tempo essa situação, por um período suficiente para armazenar informações e detectar comportamentos indispensáveis a um ajustamento mais realista e eficiente.

            A utilização prolongada e inconsciente do mecanismo de defesa pode ser funesta ao ajustamento individual, afastando-o da realidade objetiva e impedindo-o de enfrentar produtivamente o problema. O prolongado uso de mecanismos de defesa do ego tem conseqüências para o individuo que a maioria dos observadores considera prejudiciais à saúde mental. Por essa razão, consideram as defesas tipicamente patológicas e cada tipo de defesa, quando extrema, parece estar associado a certo padrão de sintomas psicopatológicos.

            Há muitas variedades de comportamentos que podem ser classificadas como mecanismos de defesa, pode-se ilustra-lo com os mais comumente utilizados, tais como:

            Racionalização.  Através desse mecanismo o indivíduo evita a angústia, explicando seus sentimentos e comportamentos por “razões” que em realidade nada tem a ver com a situação do momento. Trata-se de encontrar “boas razões” para um fracasso eminente ou real. Ao racionalizar, a pessoa desfia uma série de explicações, verdadeiras em si mesmas e de difícil refutação racional. Exemplo: as justificativas que se tenta dar em torno da morte de um ente querido “foi melhor assim” ou “poderia ter sofrido muito ou ficado inválido”.

            Dois comportamentos típicos que exprimem racionalização muito comumente utilizados são, por exemplo, quando o indivíduo não dá o braço a torcer por um fracasso seu e afirma que é “errando que se aprende”. Outro tipo de racionalização se objetiva quando um funcionário que tenha visto a sua promoção na empresa em que trabalha ser atribuída a outro funcionário, e continuando a sofrer por deseja-la, começa a depreciá-la para os demais, dizendo que prefere continuar onde está, para não ter que assumir as incomodas responsabilidades que implicariam aquela nova posição de maior complexidade.

            Ao explicar, provisoriamente a não-obtenção dos objetivos por racionalizações, a pessoa se livra das angustias de enfrentar esse fracasso, permitindo uma situação menos tensa que provavelmente possa leva-la a outra solução também adequada em termos de ajustamento. O uso exaustivo, permanente e inconsciente de racionalização colocará o individuo num clima de autojustificações ilusórias, bloqueando possíveis formas realistas de enfrentar problemas, facilitando, assim, maiores fracassos. Neste ultimo caso, a racionalização tonra-se prejudicial e se transforma num elemento gerador de maiores problemas.

            Projeção:  O indivíduo procura defender-se da angustia resultante do seu fracasso pessoal, atribuindo a outra pessoa, ou a outro acontecimento, a culpa ou a responsabilidade por esse fracasso pessoal.

            Repressão. Há acontecimentos cuja lembrança é penosa ao indivíduo. Portanto, demonstrar grande dificuldade em relembra-los é uma forma de reprimi-los psicologicamente. Lembrar ocorrências penosas significa revive-las emocionalmente e desgastar-se com isso.

            Formação de reação ou formação reativa.  O individuo passa a defender idéias contrárias àquilo que está dentro de si em termos de sentimento. É o que acontece com a pessoa que apregoa suas proezas sexuais, quando no fundo se sente insegura quanto à sua sexualidade.

            A formação de reação pode ser vista como um mecanismo de defesa poderoso, à medida que seja útil para distanciar o indivíduo daquelas atividades nas quais é, basicamente, mais vulnerável à angustia. Esse mecanismo de defesa tem possibilidade de ter conseqüências sociais perigosas, em virtude da intencionalidade irracional da reação.

                O líder de uma equiper que busca afirmar-se violentamente como competente pode estar ocultando uma dificuldade significativa em termos de liderança. Da mesma forma, o individuo que passa seu tempo de trabalho procurando planejar e organizar, impondo cegamente seu planejamento, pode estar sentindo-se comprometido quanto à sua real capacidade de planejar, pode provavelmente, já ter falhado quanto à esse aspecto.

                Toda reação violenta, esconde, em geral, um mecanismo de defesa do tipo formação de reação.

            Identificação.  Constitui uma forma de evitar situações ameaçadoras o fato de um individuo identificar-se com outras pessoas ou situações. Nesse comportamento defensivo, a pessoa pode até adotar formas de atuar de outrem.

            Fantasia.  Trata-se de uma defesa utilizada quando o indivíduo consegue entrar no campo de situações imaginárias, a fim de deixar temporariamente a realidade que lhe parece ameaçadora e desgastantes.

                Há dois tipos clássicos de fantasia: a que caracteriza o Herói Sofredor, quando para elevar o autoconceito para si e para os outros, o individuo valoriza as desventuras por que passou e o Herói Conquistador que aumenta sucessos que teve, narrando vitórias mais intensas do que realmente conseguiu.

                A fantasia é benéfica à medida que dissipa a angustia momentaneamente para preparar o individuo para enfrentar mais adiante situações que então consiga vencer.

                Em termos de trabalho, há momentos em que pode ser interessante fantasiar o futuro da própria carreira, mas sendo sempre capaz de voltar e produzir na realidade objetiva, senão nunca se chega ao ápice desejado.

                Isolamento.  Muitas vezes, objetivando não se expor ao desgaste de certas situações  vivenciais, certos ambientes ou circunstancias ameaçadoras, o individuo pode, como defesa, omitir-se, afastando-se em termos de presença física ou mental.

 

 Mecanismos de Defesa DESEJÁVEIS,  NOCIVOS  e  BENÉFICOS  ou  NECESSÁRIOS.

            Em seu livro ‘QUEM AMA NÃO ADOECE”, o cardiologista  Dr. Marco Aurélio Dias da Silva, ao estudar os mecanismos de defesa do ego conclui que o impulso é uma necessidade  para retornar a uma situação de equilíbrio na presença de um estímulo gerador de desequilíbrio, não restando ao organismo  mais que duas alternativas: atender ao impulso ou com ele entrar em acordo de alguma maneira. Não ocorrendo nenhuma dessas alternativas, permanece o desequilíbrio, cuja expressão palpável é a doença. Tais tentativas de apaziguamento constituem os mecanismos de defesa.

                Destes, o autor enumera como  desejáveis, nocivos e benéficos.

 

            Os Mecanismos desejáveis e potencialmente benéficos, os principais são:

  1. Recalque – rejeição  inconsciente pelio ego de desejos, emoções ou afetos, oriundos do id e considerados inaceitáveis pelo superego e pelo mundo.
  2. Compensação -  O ego se defende do que lhe parece um ponto fraco –real ou imaginário –por intermédio de um esforço para superar a fraqueza. Cego que desenbvolve outros talentos culturais e artísticos, os baixinhos que bancam valentões, o don-juanismo, etc.
  3. Racionalização – forma engenhosa de justificar nossas atitudes, atribuindo-lhes motivações aceitáveis. Ditadores, policiais torturadores, etc.
  4. Idealização – o risco de nos vermos como os mais inteligentes e belos seres humanos da terra, ou de idealizar a pessoa pela qual nos apaixonamos.
  5. Formação  de  reação  –  Parte-se para o outro extremo é a única forma do ego se livrar da ansiedade gerada pelo não-atendimento dos impulsos inconscientes. Também chamado de super-compensação, ou reversão, sempre com o mesmo sentido, isto é, da assunção de um comportamento extremado e contrário ao impulso que lhe deu origem.
  6. Deslocamento  ou  substituição  –  as emoções voltadas para uma pessoa ou idéia são deslocadas para outra idéia ou pessoa. Quando o sentimento é bom o mecanismo é bom, quando o sentimento é mau, o mecanismo é mau, deslocamento é descontar a raiva do chefe na esposa ou nos filhos. Sentirmo-nos irritados com uma pessoa quando na verdade nossa irritação provem de outra fonte.
  7. Sublimação. –  transformação de impulsos inaceitáveis ou não realizáveis em atitudes que sejam úteis para nós mesmos e para os outros. Para Meninger, é um É um método que usamos o tempo todo para viver e gostar de viver. Os psiquiatras acreditam que a generosidade e o amor pelos outros são sublimações  e impulsos agressivos são sublimados em criações artísticas.

 

                    Os mecanismos de defesa nocivos:

  1. projeção
  2. conversão
  3. autopunição
  4. regressão
  5. negação
  6. isolamento e fuga

 

            Considera-se benéficos e necessários, os processos que de forma automática, e em grande parte inconsciente, permitem nosso ajustamento ao meio familiar e social e laboral:

  1. Introjeção ou Introspecção Pode ser definida como a incorporação, no interior do eu de atitudes, desejos, Objetivos ou ideais de pessoas ou grupo de pessoas. Nossa personalidade e nosso modo de ser dependerão muito do que introjetarmos durante nosso desenvolvimento.
  2. Identificação Ocorre mesmo estando nossa personalidade já formada. É um processo automático pelo qual nos sentimos como uma outra pessoa se sente, ficando feliz com o que lhe dá felicidade e vice-versa. Isso vale também para grupos de pessoas, grandes e pequenos e explica os bairrismos, o nacionalismo, as torcidas de clubes de futebol e o trabalho em equipe
  1. Simbolização é a utilização de símbolos para exprimir mensagens, valores, idéias, sentimentos. De forma consciente, está presente em nosso cotidiano. As palavras são símbolos. A aliança de casamento é um símbolo, etc.

                A simbolização pode ser usada de forma inconsciente  como estratagema de ajustamento do ego, assim, um individuo que se revolta gratuitamente contra uma autoridade pode estar simbolizando nela o ódio a seu pai, o que conscientemente ele jamais aceitaria.

Da mesma forma, a mulher amada pode simbolizar a mãe, uma paralisia histérica de um braço pode representar um impulso agressivo inaceitável que se necessita conter e assim por diante.

Os sintomas e exteriorizações das doenças são, com muita freqüência, carregados de símbolos.

 

BIBLIOGRAFIA:

BERGAMINI, Cecília Whitaker. PSICOLOGIA aplicada à administração de empresas - psicologia do comportamento organizacional. Atlas, São Paulo: 1982.

SILVA, Marco Aurélio Dias. Quem Ama Não Adoece,  Best Seller, São Paulo: 2000.